30/06/2009
Che Guevara, o homem que virou mito

Ernesto Rafael Guevara de la Serna, mais conhecido como Che Guevara ou El Che foi um dos mais famosos revolucionários comunistas da história. Nasceu em Rosário, cidade de Buenos Aires, em 14 de Junho de 1928, numa família de classe média alta e antiperonista. Desde cedo começou a ter ataques de asma e por isto, estudou grande parte do ensino fundamental em casa, com sua mãe, onde tinha uma biblioteca com cerca de três mil volumes com obras de Marx, Engels e Lenin, e com os quais se familiarizou durante a adolescência. Com 12 ou 13 anos já lia com frequência.
Em 1951, na companhia do amigo Alberto Granado, deu início a uma viagem de motocicleta, esta, apelidada de La Poderosa, para conhecer a América Latina. Desde então, Che Guevara começou a refletir sobre o que vivenciou na América, sendo esta viagem um marco de rompimento com os laços nacionalistas. "Não sou mais o mesmo" disse ele ao amigo em despedida. A aventura acabou virando um livro, escrito por Granado, chamado Travelling with Che Guevara: The Making of a Revolutionary, que também deu origem ao filme Diários de motocicleta do brasileiro Walter Sales.
Depois que se formou em medicina no ano de 1953 passou a dedicar-se à política. Neste mesmo ano voltou à América Latina pela segunda vez. E por causa da miséria, das lutas e sofrimentos que presenciou em suas viagens foi que o jovem médico concluiu que a única maneira de acabar com todas as desigualdades sociais era promovendo mudanças na política administrativa mundial. Após esta viagem, conheceu a peruana Hilda Gádea e com ela teve a primeira filha,Hildita.
Em 1954, conheceu no México, Raúl Castro, de quem tornou-se amigo. Logo depois conheceu seu irmão, Fidel Castro, com quem também teve afinidade instantânea. Depois do encontro ficou acertada a participação de Che no grupo revolucionário que tentaria tomar o poder de Cuba. A partir do acordado começaram-se os treinamentos para a guerrilha. Em 25 de Novembro de 1956, Che e os outros revolucionários desembarcaram em Cuba e instalaram-se na Sierra Maestra, de onde comandaram a guerrilha que abateu o governo de Fulgêncio Batista. Após a vitória dos revolucionários, em 1959 e a implantação do socialismo em Cuba, Guevara torno-se membro do governo cubano de Fidel Castro, exercendo as funções de embaixador, presidente do Banco Nacional e Ministro da Indústria.
Che Guevara acreditava que a revolução socialista, contra o imperialismo comandado pelos Estados Unidos, deveria ser levada para outros países. Lutou no Congo (África) e depois foi para a Bolívia, onde estabeleceu uma base guerrilheira. Pretendia unificar os países da América Latina sob a bandeira do socialismo e invadir a Argentina.
O homem morreu e nasceu o mito
Já se faziam dois anos, desde sua carta de despedida, lida publicamente por Fidel Castro, em Outubro de 1965, que ninguém, a não ser o alto comando cubano, sabia do paradeiro de Che Guevara. Logo, assessores militares norte-americanos desembarcaram em La Paz, capital da Bolívia, a fim de instruir o mais rápido possível um batalhão para apanhar guerrilheiros. Eram consideráveis as certezas da CIA e das autoridades bolivianas da presença de Che naquele território. A suspeita tornou-se evidente quando dois estrangeiros, o francês Regis Debray e o argentino Ciro Bustos foram capturados em Muyupampa, um vilarejo no sul do país. Após tortura, Debray confessou que Ramón, o homem do qual suspeitavam, era mesmo Che.
Che havia dividido seus homens em grupos.
Um deles foi exterminado em Vado del Yeso, quando tentava atravessar os rios Acero e Oro. Já o de Guevara, composto por 17 homens, foi cercado num canyon em La Higuera, pelas tropas do capitão Gary Prado, no dia 8 de Outubro de 1967. Após grande tiroteio, com a sua arma estragada e com a perna atingida por uma bala, Che Guevara rendeu-se.
Levado para um casebre em La Higuera, que servia como escola rural, foi interrogado pelo Tenente-coronel Andrés Selich. No dia seguinte, 9 de Outubro, por rádio, veio a ordem de La Paz para que o executassem e uma rajada de balas lhe foi disparada quando ele ainda estava deitado no chão batido da escola. Che foi transferido para Vallegrande. Lá colocaram-no sobre umas pias da lavandeira de um pequeno hospital e para confirmar suas digitais amputaram-lhe as mãos.
Várias fotos foram tiradas e há quem o comparasse com o Cristo retratado em uma daquelas telas de Barroco. Che e mais sete guerrilheiros foram enterrados numa cova anônima, nas proximidades do pequeno aeroporto de Vallegrande, sob grande sigilo.
Até 28 anos após sua morte ninguém havia se manifestado a do ocorrido, até que o General reformado Mário Vargas Salinas informou ao jornalista Jon Lee Anderson o local onde enterraram o cadáver de Che. Passaram-se dois anos de escavações, até encontrarem seus ossos que foram transportados para Cuba e recebidos por Fidel e Raul Castro com honras de estado.
As tentativas das autoridades e do exército para desestimular qualquer reverência a memória de Che foram em vão. Sua morte determinou o nascimento de um mito. Che Guevara deixou a história para ingressar na Mitologia da América Latina.
Curiosidades:Desse encontro nasce o apelido de Che, pelo seu sotaque argentino de falar a interjeição "che" a toda hora.
Ele escreveu vários livros. Pode pesquisar, por favor! -Aurileide Alves 03/06/09 13:14 Che Guevara foi considerado pela revista norte-americana Time Magazine uma das cem personalidades mais importantes do século XX. Em 1953, Guevara atuou como repórter fotográfico cobrindo os jogos Pan-Americanos do México, por uma agência de notícias argentina. Che Guevara inspirou musical em Buenos Aires. Pela primeira vez a vida do revolucionário foi relatada em um palco.