11/07/2009
Dançando lambada

Você conhece o Rei da Lambada? Então, com certeza também já dançou ao som de grandes hits como Preta e Adocica. Beto Barbosa é uma das principais atrações do 8° Acampamento da Juventude.
Nada mais justo, considerando que ele se transformou no maior ícone da lambada no Brasil. Cantor e compositor, autor de grandes sucessos e famoso por trilhas sonoras de novelas, participações em shows de televisão e pelo swing característico de seus bailarinos, Beto chega em Icapuí para dizer e mostrar com sua alegria por que esse acampamento é latino americano.
Nascido em Belém do Pará e nordestino de coração, embalou noites de Fortaleza e também de grandes casas do eixo sul-sudeste do país. Abraçou o forró e inseriu o toque caliente da lambada, provocando uma mistura de ritmos dançantes que promete botar todo mundo pra dançar. Para quem pensa que lambada é coisa do passado, fica o convite pra assistir ao show e mudar de ideia. Então, prepare seu gingado e convide sua turma para o encontro com o Rei da Lambada, no dia 18 de julho.
Veja a entrevista:
1) Como você define o seu atual trabalho?
Meu trabalho continua sendo originário de um mundo dançante, feliz e sem compromissos com os capitalistas que, por serem imediatistas, tiram sempre o espírito e a inspiração natural dos seres e da obra.
2) Quais as motivações artísticas e culturais que mais influenciam seu trabalho e sua música?
A motivação é das Arábias, amazônica, nordestina, caribenha, onde meu gueto de época me favorecia (Belém do Pará). Nascer ouvindo esta variedade foi o estopim aglutinante das idéias; grandes músicos, sensualidade na dança e vontade de vencer rompendo as barreiras do preconceito.
3) Muitos artistas tem se pronunciado sobre a polêmica relação de música e internet. Qual sua opinião a respeito?
Quem nasceu artista morrerá artista sob a luz de sua criação. A realidade é irreversível para o bem da cultura não fabricada. Estamos no mundo de todas as possibilidades. LIVRE ARBÍTRIO SEM ALGEMAS. Somente assim poderemos dar espaço aos novos e a criação amordaçada há anos pelos absurdos do jabá inconstitucional.
4) Como vai ser o repertório para o show que vai acontecer no 8º Acampamento?
No meu repertório, não pode faltar Adocica, Preta, Pra Ficar Dez, Meu Amor Não Vá Embora, Dance e Balance Com BB, Mar de Emoções, Louca Magia, e as novidades como Zouk Love, Não Machuque Assim e versões que fiz de de MY WAY, I Will Survive em ritmos ciganos. Haverá momentos que cantarei sucessos que guardo como surpresa para deixar a juventude dos anos oitenta e noventa bem próximas do que acontece atualmente com a galera cibernética.
5) O que vem por aí? O que podemos esperar de novidades acerca de seu trabalho no mercado fonográfico?
Sempre busquei o novo e parceiros. Por estes motivos, me coloquei a disposição de uma grande ideia que é gravar um DVD em Cuba para celebrar esta mistura que já existe em nossas veias há séculos. Queremos oficializar esta parceria e este batidão sem perder o perfume das nossas raízes e essenciais. Este projeto, terá apoio cultural; espero que seja do Ceará - terra que sempre primei por sua importância e personalidade internacional - pois foi neste estado querido que oficializei meu mundo para o Mundo.
6) Qual a importância de um evento que discute temáticas como essas na formação dos jovens de hoje?
Tenho filhos jovens e me sinto com esta responsabilidade organizada acoplada aos meus dias. Não existe presente sem passado, Não podemos desistir de reivindicar, discutir o novo e nos organizarmos para que o mundo seja supremo em todos os sentidos bons. Penso que bem ou mal, chegamos até aqui. Cabe-nos agora esperar deste jovem mundo globalizado as mudanças transparentes para o bem de nosso planeta.
7) Qual o papel da música em um evento que se propõe discutir esse tipo de assunto?
A música transcende, a alma nos faz refletir buscar caminhos em nossas mentes bem intencionadas. A música aproxima os corpos e junta às almas num passo de mágica nunca assistido. Não precisamos falar línguas difíceis para entendermos que o som nos faz crescer diante das diversidades. Música é cultura necessária e faz bem em qualquer ocasião.
8) O que você acha que a juventude pode fazer para construirmos um mundo melhor?
O mundo jovem precisa mudar conceitos antigos de crescimento. Não podemos crescer destruindo. A reivindicação organizada deve ser cobrada sempre que necessária. Precisamos de união celebrada por grandes idéias para o bem da raça humana. Precisamos usar nossos cérebros de forma saudável. Derrubar oligarquias do mal, buscar o lado leve da vida, e nunca esquecer que é através da família que se constrói uma bela História.
9) Sabendo que o Acampamento não será apenas um evento musical, qual a sua expectativa para o show?
Quero assistir cantando a harmonia desta celebração e relembrar quando meus passos estiverem lentos, que tudo valeu à pena.
Texto e entrevista: Daniel Prazeres