11/7/2009
Confira a entrevista com a Tribo de Jah

A galera pode começar a se preparar para dançar ao som do mais puro reggae roots brasileiro. Convidados como uma das principais atrações do 8° Acampamento, o pessoal da Tribo de Jah vem com força total para agitar Icapuí. A banda que começou há mais de 20 anos e foi a principal responsável pela disseminação do reggae por todo o Brasil, iniciou-se na Escola de Cegos do Maranhão. O grupo conseguiu tirar o reggae do gueto e expandir por todo o Maranhão, conquistando, uma legião de fãs pelo Brasil. O reggae viria marcar a já tão forte e original cultura maranhense, contestado por uma minoria de intelectuais conservadores e abraçado pela grande massa.
A Tribo de Jah deu a partida para difundir o reggae com mensagens de amor e paz, políticas, sociais e divinas. Este ano, trazem a Icapuí um show que antecedeu o lançamento do DVD da Tribo, gravado ao vivo na Amazônia e grandes sucessos já conhecidos.
Atenciosos, nossa conversa com eles foi enriquecedora.
Veja a entrevista completa:
A gente bateu um papo com a galera da Tribo a respeito desse atual momento e das expectativas da banda para o 8° Acampamento.
1) Como você define o seu atual trabalho?
O trabalho atual da Tribo esta atingindo um grau de excelência em reggae, com mais de 20 anos de estrada e tendo tocado em países dos mais diversos continentes, a banda agregou uma bagagem considerável, algo que se reflete no momento atual da banda denotando um amadurecimento e uma depuração não só no conceito musical como também na sua temática. Podemos dizer, sem receio, que a banda esta agora no seu melhor momento, encontrando a sua melhor síntese do reggae, com um trabalho que preserva a identidade do roots tradicional do Maranhão.
2) Muitos artistas tem se pronunciado sobre a polêmica relação de música e internet. Qual a opinião de vocês (ou sua) a respeito?
A internet se tornou um meio fundamental de comunicação nos dias de hoje e é melhor a gente se adequar a essa nova realidade e se utilizar dela do que ficar a margem dessa comunicação em escala global. É algo inevitável, claro que seria interessante de arrumar meios de preservar os direitos artísticos e autorais dos artistas, mas enquanto isso não acontece, temos que nos virar tirando o melhor possível desse novo sistema de comunicação e navegação.
3) Qual a importância de um evento que discute temáticas como essas na formação dos jovens de hoje?
Um fato muito gratificante no trabalho atual da banda é que seu publico também vem se renovando. A gente tem visto muitos jovens de 16, 17, 18 anos, fãs veementes da banda, que nasceram quando a banda já estava na estrada. Particularmente, acreditamos que a Tribo tem uma mensagem atual, bem contundente, que traz uma contribuição pra despertar o questionamento nessa nova geração, sempre de forma positiva, buscando o politicamente correto. Eventos assim contribuem enormemente pra divulgar o trabalho da banda para um publico novo que esta formando opinião. É um privilegio para a Tribo estar presente nesse encontro.
4) Qual o papel da música em um evento que se propõe discutir esse tipo de assunto?
Música é entretenimento também, não devemos esquecer isso. Dançar é bom e é importante. A música traz um conceito tribal de celebração, entrelaçamento... é uma válvula também pra rapaziada, pra aliviar a pressão, descontrair, enfim, musica é vida e acho que esse tipo de evento se torna realmente muito mais atrativo tendo a musica, que também é cultura, como um elemento atrativo que certamente ajuda a agregar os jovens. É um elemento social e cultural ao mesmo tempo, capaz de imprimir uma identidade cultural num contexto de comunicação de massas, cada vez mais alienante.
5) Sabendo que o Acampamento não será apenas um evento musical, qual a sua expectativa para o show?
A expectativa do show só pode ser a melhor possível... um encontro de jovens tem tudo a ver com a proposta e o som da Tribo. E a Tribo vem pra “quebrar tudo” (no bom sentido, é claro). Essa é a perspectiva da banda no momento, não tem show ruim... E isso é algo que a gente tem discutido muito entre os membros da banda: cada show requer uma entrega total, uma vibração intensa, é um trabalho feito com amor e devoção e a galera certamente vai sentir a “vibe”, e cair no reggae se Deus quiser!
Texto e entrevista: Daniel Prazeres